Depois do depois

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DEPOIS DO DEPOIS

maria helena sleutjes

Chega-se a um tempo
em que a dor
só pode ser plantada
num sorriso
resultado da moagem
da maceração
da ruptura
da morte,
aquela que não extinguiu
a vida.
Este tempo
nem todos atingem,
só existe
no depois do depois,
quando o que não se rende à morte
nos visita
e nos faz continuar
a esmo…
Sem memória nem perspectiva.

Epígrafe

EMoça com sombrinha 2

EPÍGRAFE

maria helena sleutjes

Como quem escreve
uma epígrafe
num papel em branco
para anteceder
seu próprio nome,
escrevo ADEUS,
com A de amor vencido,
D de demasiado tarde,
e E de estiolado.
Acrescento o U de
universo desolado
no S apócrito
da Saudade.

Manjar dos deuses

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MANJAR DOS DEUSES

maria helena sleutjes

Aí, vem o tempo de agora
enganoso
sorrateiro
polindo as arestas
acertando as contas
cavando a terra
colhendo pitangas
deslizando pelas encostas
trazendo chuvas…
Amor
amoras
ambrosia
na ponta da língua
mel de cana caiana.

CONDIÇÃO

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Ninguém poderá povoar
o vazio de você.
Acabo
apagando a luz,
abrindo as janelas,
e o vento da noite
sopra sobre o oceano.
Sou com as ondas
abstração
sopro
interjeição
sombra.

Maria Helena Sleutjes

PAPOS e IDEIAS com Fernando Fiorese

Com um número expressivo de escritores e amigos da literatura,  aconteceu ontem (08-10-2014) na LIVRARIA SARAIVA de Juiz de Fora mais um encontro. Conversei com o escritor juiz-forano FERNANDO FIORESE.

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Dentre os presentes estava o escritor Dilermando Rocha, presidente da Academia Juiz-forana de Letras; o jornalista Rodrigo Almeida, editor do Ilustrada, caderno literário da Folha de São Paulo; a escritora Maria Helena Oliveira, presidente da Academia de Letras da Manchester Mineira, as escritoras Lazara Papandrea e Leila Barbosa, coordenadoras do meu querido grupo, o Café com Poesia ( e Arte); o escritor Wanderley de Oliveira, presidente da Associação de Cultura Luso Brasileira: o escritor Antônio Isair da Silva, editor do Jornal do Poeta.

Lamentando a ausência do escritor Iacyr Anderson Freitas, que infelizmente não pode comparecer por problemas de saúde, passamos a apresentação inicial do nosso convidado. Tarefa difícil em virtude do vasto currículo, que procurei sintetizar ao máximo para que pudéssemos ouvi-lo por mais tempo:

Seu nome completo é FERNANDO FABIO FIORESE FURTADO, natural de Pirapitinga – MG.
É graduado em Comunicação Social/Jornalismo pela UFJF. Mestre em comunicação e Doutor em Ciência da Literatura/Semiologia pela UFRJ.
Escritor, poeta, e professor do Departamento de Letras da UFJF.

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Sua produção literária é muito grande e importante, e ele vem publicando sistematicamente desde 1980, vejam:

1980 – publica Abre alas e a revista D’Lira
1982 – publica “Leia, não é cartomante”.
1985 – Exercícios de vertigem & outros poemas.
1990 – Publica “Ossário do mito”
2000 – “Dançar o nome” ( lindo trabalho. Trata-se de uma antologia com poemas do Fiorese, Iacyr e Edmilson, acomapanhada por um cd, onde eles mesmos falam alguns de seus poemas)
2002 – “Corpo portátil”.
2003 - publica “Dicionário mínimo: poemas em prosa, e “Murilo na cidade: os horizontes portáteis do mito“.
2008 - “Um dia, um trem”.
2010 – Um livro de contos - “Aconselho-te crueldade
E está a caminho, seu primeiro romance - “Um chão de presas fáceis“, contemplado no Programa Cultural da Petrobrás.
Fernando Fiorese recebeu inúmeros prêmios e participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior.

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Num clima de muita descontração, ele respondeu as minhas indagações com completa maestria. Brincou com aspectos de sua vida, falou da sua amizade com os poetas Iacyr Anderson Freitas e Edmilson Pereira, brincou com as amigas e colegas, professoras da UFJF, Leila Barbosa e Marisa Timponi, falou sobre as questões do tempo, da vida, do ato de escrever…

Depois passamos ao debate sobre o pensamento de Murilo Mendes: “Ainda não estamos acostumados com o mundo. Nascer é muito comprido”.

Fiorese abriu o debate com um poema incrível do João Cabral de Melo Neto que infelizmente não fiquei com a cópia. Um momento muito marcante.

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Foi seguido por Rosangela Rossi que havia acabado de registrar suas palavras no seu celular e passou a comunica-las:

“A cada dia, a cada minuto nascemos no tempo do vir a ser. O mundo existencial nos surpreende em seu eterno caos. Como Seres cósmicos muitas vezes não nos habituamos com este mundo em frenética transição. Não nos habituamos com tamanho egoísmo da maioria, desejo de poder e vaidade, orgulho e inveja sem limites, desrespeito a singularidade e mais que tudo o desamor. Apesar dos desandos…e do caos….Nascer realmente é muito comprido… Pois a sucessão das surpresas nos toma, nos devora, nos assanha, nos encanta e desencanta e nos faz sempre neófitos. Nada sabemos, vamos nascendo e sendo eternos aprendizes. O espanto frente este viver é que nos faz querer sempre mais viver. O caos tem seus instantes movimentos dialéticos entre o prazer e desprazer, luz e sombra, alegria e dor. E que bom que não nos habituemos, pois o hábito é morte e rotina, normopatia da mediocridade. Bom mesmo é renascer a cada amanhecer na eterna surpresa de que é o viver. Por isto que seja sempre comprido o nosso nascer e que cada instante seja poesia, gozo e celebração! Valeu poeta Murilo Mendes por esta pérola filosófica que me fez pensar , respirar e continuar nascendo na grande novidade que é viver!”

Leila Barbosa, especialista e pesquisadora de Murilo Mendes nos trouxe o próprio Murilo a explicar seu aforismo.

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Alessandra Branco também nos trouxe a sua contribuição.

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Fernando Fiorese fechou o debate deste tema que, como ele mesmo disse, nunca se fecha, nos levando a refletir sobre o existir e as diversas configurações do nascer/morrer.

Ficamos assim, mais ricos, mais humanos, mais felizes.

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Agradeço a Livraria Saraiva na pessoa de Mariana Reis e Igor Santos o apoio de sempre.

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Um agradecimento especial a querida amiga Ana Miranda, companheira de longos anos no Café com Poesia ( e Arte), que esteve comigo neste evento sendo  braço direito, braço esquerdo, olhos e atenção constante.

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                                                                 FOI ASSIM!!!