UMA CARTA PARA THEODORO E MARINA.

10363942_486256618173792_5371214185655517821_n

Neste depoimento recebido pela Claudia Freire Lima, um leitor do livro Theodoro e Marina: cartas para sentir a infância, chamado CLAUDIO, conversa com os personagens do livro e entra na trama desta correspondência de forma a nos trazer muita alegria! Obrigada CLAUDIO!

Eis a carta do CLAUDIO para THEODORO E MARINA:

” Oi!
Meu nome é Claudio (tem mais, mas acho que isso não interessa). Conheço o nome de vocês: Marina e Theodoro, ou, para ninguém achar que gosto mais de um do que do outro, Theodoro e Marina. Está bem assim? Vocês vão se perguntar: mas como ele conhece o nome da gente? Ah, isso também não importa muito.
O que importa é que sinto que tenho algumas coisas em comum com vocês, por exemplo, eu moro no planeta Terra, gosto de brincar, escrever poesia, fazer muitas perguntas sobre coisas que as pessoas às vezes não dão muita bola (“Quando quebra por dentro ninguém ajuda, socorre, ninguém engessa, porquê né?), acho a amizade uma coisa deliciosa e sinto que viver é tão bom!
Mas tem uma coisa: eu sou adulto, ou melhor, me chamam de adulto, e vocês são crianças, ou melhor, chamam vocês de crianças. Mas, querem saber? Acho esse troço de ser chamado disso ou daquilo uma grande bobagem. Minha avó dizia que amor não tem idade, eu não entendia bem porque ela me repetia isso tantas vezes. Acho que hoje, lendo umas cartinhas que uma amiga me deu de presente, eu entendi prá valer o porquê (minha professora me ensinou que é feio escrever prá, que o bonito é para, mas acho que prá faz um barulhinho tão gostoso!).
Amar, seja a gente chamado de criança ou adulto, é a única coisa que não sai de moda, não envelhece, tem valor para sempre, acho que é isso que minha avó queria dizer. Eu escrevi uma poesia, um dia eu mostro para vocês, que termina assim: “O amor é o triunfo do tempo sobre si próprio”. Se vocês gostaram muito bem, se não gostaram, muito bem também. O que vale é que eu achei vocês muito fofos e que, dentro do meu coração, vocês são e serão meus amigos para sempre, pouco importa se vocês vão dar bola para o que eu escrevi ou não.
Tchau!
Claudio (meu pai me chamava de Cacau, podem me chamar também)

Psiu: Eu também não gosto que joguem lixo fora do lixo. Quando vejo alguém jogar papel no chão falo bem assim: olha, você deixou cair uma coisa. Às vezes me olham com uma cara feia, mas outras, ficam envergonhados e recolhem o papel. A gente tem mesmo que cuidar do planeta. Pode ser que o mundo não seja do jeito que a gente quer, mas se a gente não cuidar com carinho, o que vai ser dele? Ah, outra coisa: adorei esse psiu! ”

QUESTÕES

06871212600

A condição humana
é grave.
Não dá para retroceder
ao passado,
Não dá para voar
para o futuro,
e aqui estamos
a contar os carneirinhos…

Sobre o meu sentir,
o luar.
Sob as luzes incógnitas
da cidade,
o meu olhar.

E o tempo a pedir passagem,
a alucinação das estrelas…
E o tempo a correr pelas horas,
o temporal de cores…
e o tempo a me trazer o tempo,
resgata-me
da minha própria história.

O MAR NO VIDRO -mais um livro da Gryphon Edições

A Gryphon Edições em parceria com a Funalfa, tem o grande prazer de apresentar o romance “O MAR NO VIDRO” de autoria de Luiz Almeida, cujo lançamento se realizou no dia 26 de junho, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Encontro literário organizado pelo autor que contou com a participação de Lázara Papandrea , Wandeley Luiz de Oliveira e Ana Miranda, integrantes do Grupo Café com Poesia ( e Arte), além da presença de diversos escritores, poetas, amigos e convidados do escritor.

DSCN3582

10421972_500533533412767_3577824230920968449_n

DSCN3588

 

Enquanto as pessoas iam chegando, o músico Luciano Baptista, através do seu violão e gaita, criava o clima de harmonia e descontração que permeou todo o encontro.

Luciano

luciano tocando

10492283_500539473412173_4962557090821569431_n

A solenidade se iniciou com as palavras de poetisa Lázara Papandrea:

Senhotra e senhores, boa noite!
Sejam bem-vindos a esse encontro para o lançamento do romance O MAR NO VIDRO, do autor LUIZ ALMEIDA, nosso companheiro de encontros literários.

Agradecemos a presença de todos que aqui vieram prestigiar este evento.

O romance O MAR NO VIDRO é resultado de uma parceria do Selo Editorial Gryphon Edições e Funalda, por meio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura.

A GRYPHON, jovem editora, é uma empresa já vitoriosa, da nossa querida escritora, poetisa, Maria Helena Sleutjes, conhecida de todos nós pela dedicação ímpar à cultura de nossa cidade.

Realizaremos aqui, neste auditório, uma singela apresentação inicial do livroe, posteriormente, nas salas anexas, será entregue pelo escritor Luiz Almeida um exemplar autografado do romance a cada um dos senhores e senhoras presentes.
Neste momento, então, será oferecido um coquetel para celebrarmos essa que foi uma obra ansiosamente esperada por todos nós.

layara 2

Continuando, Lázara disse:

desde o primeiro momento, idealizamos esta solenidade como mais um dos encontros literários, dentro do projeto Café com Poesia ( e Arte), criação de Maria Helena Sleutjes, já no seu quinto ano de profícua existência, atualmente sob a coordenação da nossa querida leila Barbosa, aqui presente, e conta também com a minha participação.
Estamos portanto entre amigos, amigos das letras, quando essa paixão literária nos reúne numa atmosfera informal de alegre encantamento.

Neste momento, Lázara convidou o poeta e escritor Wanderley de Oliveira, presidente da Associação de Cultura Luso-brasileira, que nos apresentará o primeiro exemplar do livro impresso, que ficará aqui na frente, fazendo-nos companhia, objeto de desejo, que logo todos nós teremos em mãos.

Obrigada ao Wanderley, presença sempre simpática nos nossos encontros, pela gentileza de nos trazer o livro.
Então agora, convido a editora Maria Helena Sleutjes e o autor Luiz Almeida para a apresentação de seu romance.

Nossa amiga Graça Julião, perguntou ao Luiz Almeida se haveria uma música que ele julgasse, de alguma forma, representar seu romance (…)Mas ele não titubeou em escolher uma letra musical que, a seu modo de pensar, poderia ser eleita como que uma epígrafe do romance (…) Convido então, nossa querida Ana Miranda que nos recitará a letra dessa bela canção de Chico Buarque, “A moça do sonho”.

ana

10487172_500534376746016_127927506298786510_n

A Moça do Sonho

Chico Buarque

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

Então, Lázara prosseguiu: passo a palavra ao escritor Luiz Almeida, que nos falará um pouco sobre seu livro:

DSCN3604

“Este livro, o romance, O mar no vidro, é obra de Ficção. Pode parecer

que aponto, de início, uma característica negativa, pois o que é Ficção não

é real, não é verdade, e menos crédito merece. Entretanto, considero, ao

contrário, que Ficção é mais do que realidade, mais do que história verdadeira.

As avenidas da Ficção são mais largas, mais caudalosos os seus rios, mais

amplos os horizontes de seus mares. A realidade exige a lógica dos episódios

tantas vezes sem lógica. Exige adereços convincentes, gente de carne e osso

andando pelas ruas, na pressa da vida, trabalhando, conquistando, perdendo,

amando, matando – enfim, conjugando seus múltiplos verbos de ser.

Já a Ficção se faz sobre a concretude da realidade, às vezes sobre seus

escombros, outras vezes sobre suas glórias. Certo, não haveria Ficção se não

houvesse realidade: mentes pensando, corações palpitando, braços e pernas

movendo-se no correr das ações humanas. A Ficção, porém, vem depois dos

feitos humanos, de grandeza ou mesquinhez.

Como a luz que incide sobre as águas, quer límpidas, quer turvas, a

Ficção passa ao largo das contingências existenciais. Seus protagonistas, bem

ao contrário dos homens, são tecidos de uma liberdade tão radical que nada

os destrói; mesmo após a morte, se são autênticos, restarão imortalizados.

Cada vez que o livro for aberto, lá estarão eles, prontos para seguir, de novo,

o destino que lhes foi prescrito. Mesmo quando lhes surpreende a morte, no

curso da narrativa, não é o fim peremptório que conhecemos e tememos. Mil

juventudes podem eles desfrutar, se mil vezes recomeçamos sua história.

A Ficção, portanto, é o engenho humano capaz de criar muito além

das possibilidades de criação real. Nela, todas as arquiteturas se equilibram de

pé, ainda que lhes falte o prumo das obras sólidas. Ela está para a literatura

assim como a perspectiva está para a pintura. No desenho de uma paisagem,

a estrada que se afunila até sumir-se no ponto de fuga é tão real a nossos

olhos, ela como que nos incita a percorrê-la indefinidamente, repleta de

surpresas na sua trajetória infinita. A tosca falsidade da perspectiva não nos

inibe a admiração, o encantamento de penetrar sua falsa profundidade, a

risível transcendência de sair de nós mesmos, do nosso sólido referencial, para

mergulhar na fantasia de seus artifícios. Não é, assim, a pintura que nos afeta,

mas nós é que nos entregamos de bom grado aos seus afetos.

Também a Ficção nos oferece a outra face, a outra face da realidade,

nos ilude com a promessa de que tudo é falso, desarmando nossas defesas,

burlando a Grande Censura que, noite e dia, nos policia, ferozmente, o

2

pensamento.

Conduzidos pela Ficção, consentindo em seus malabarismos, somos

levados ao encontro da realidade que não julgávamos nossa, a memória nos

trai, nos traz tempos perdidos, fantasmas adormecidos, vivências soterradas

pelo peso das horas longas. Hábil jogo de lentes, a Ficção amplia e reduz

as imagens que nos revela, revela-nos, agigantados na nossa pequenez,

apequenados na nossa arrogância. Diverte-se conosco, verso e reverso,

reconstrói nossa história pessoal; mal nos reconhecemos sob véus tão sutis.

Assim, por meio da Ficção, podemos algo que na realidade sempre nos

escapa: retomar as pontas soltas da vida. Trilhar caminhos abandonados,

reconstruir a casa em ruínas, dar cordas num velho relógio parado num tempo

remoto; enfim, voar, nas asas da fantasia, aos paraísos perdidos na névoa do

esquecimento.

Quão repulsiva seria a revelação da realidade nua e crua! Não caberia

nos olhos a certeza dos gestos frios, dos golpes gratuitos, dos saques

selvagens. Decididamente, a realidade precisa da Ficção, dos seus punhos de

renda, das suas mutações dialéticas, das suas cores cambiantes.

Uma segunda questão – de onde vem este romance – não possui uma

resposta inequívoca. Na verdade, vocês verão uma incerteza no ponto de

partida da narrativa. Podemos falar de uma origem imediata, uma urgência,

que é marca da vulnerabilidade do escritor, sua necessidade, talvez compulsão,

de ter de contar logo sua história, antes que o Grande Tempo o engolfe em

suas dobras plásticas. Essa origem tem pouco valor, porque, sendo quase uma

idiossincrasia, é estreita nos seus limites.

Mas podemos falar também de uma origem remota, essa sim! tem sua

grandeza na própria trajetória humana, na qual origem e destino se esgarçam

num sentido fértil, a ponto de brindar-nos com o sabor do infindo, do

insondável, tão longe restam suas raízes, tão distante podemos imaginar o

alcance de seus tentáculos. Aqui, então, os versos do grande poeta Fernando

Pessoa pudessem sintetizar nosso argumento. Diz ele:

Todo começo é involuntário

Deus é o agente.

Por fim, devemos enfrentar a questão mais árdua: que ideias

professa este romance? Estarão essas ideias à altura da casa onde buscam

ressonância? Para garantir um mínimo de honestidade na devida resposta,

argumentamos em duas direções que se distinguem apenas quanto ao ponto

3

de partida. Primeiro, devemos dizer que o herói, o protagonista, desta

narrativa filia-se a uma tradição literária que nos deu grandes realizações

estéticas. É ele o tipo do herói ingênuo, se assim pudermos designá-lo,

ingênuo no sentido específico de não compactuar com a ordem vigente no

mundo em que transita. Ingênuo, no sentido de uma inocência arraigada na

convicção da grandeza da vida humana, inocência apaixonada pela vida e, por

conseguinte, fixada nos valores supremos da solidariedade, da liberdade e da

igualdade. Um mundo a construir-se, portanto. Assim, esse herói, quixotesco

sem dúvida, afasta-se em essência do herói épico, vencedor e vitorioso. O

herói ingênuo não vence as batalhas seculares, porque rejeita lançar mão das

armas que, precipuamente, desacreditam seus ideais. Sua vitória reside

exatamente em suas derrotas, na renúncia ao sucesso a qualquer preço. Para

ele, a vitória não pode ser conquistada sobre cadáveres, quase sempre dos

mais desvalidos. Herói na contramão da sociedade competitiva, erguida sobre

valores flexíveis e oportunistas, em que a verdade é argumento anacrônico e

passadista. Herói cujas vértebras não são o sucesso, a riqueza, o poder e a

glória. Esses valores, tão cobiçados pelo homem contemporâneo, não o

representam nem o seduzem. Herói, sem dúvida alguma, incômodo,

incompreendido, inconveniente. Mas nem por isso, um herói apático,

silencioso, misantropo, que se furta à luta. Herói, por fim, que larga na sua

trajetória de vida um rastro de luz e esperança: outros seguirão seus passos,

empunharão as antigas bandeiras para a conquista de um mundo justo, por

mais frágil que venha se mostrando essa utopia ao longo dos séculos.

Numa segunda direção, diremos que as ideias que permeiam este

romance decorrem da tradição literária ocidental. Por mais que busquemos

singularidades e inovações, estilo próprio, refiguração da palavra, o punho

do escritor quanto mais livre mais se engaja nas linhas de força que a herança

literária, ao correr das gerações, decidiu por ideal.

Assim, a pretensa originalidade do autor, quando não sua

excentricidade, não autoriza a renegar influências diretas ou remotas. As

primeiras palavras que ouvimos, quando ainda nada nos significavam além de

uma insólita melodia, como não sentir-se herdeiro da linguagem própria de

uma época e de uma gente? Cito de novo o poeta português, Grande Pessoa,

num dos seus poemas mais inspirados, nos ensina o valor da herança literária.

Diz ele:

Julguei ser meu o que era meu

4

Eu também poderia pensar que é meu o que era meu. Mas não era meu,

absolutamente meu. Já veio de outras mentes, de outros corações, moldando-
se nos embates, seixos rolados, polindo e sendo polidos, aprendendo e

ensinando – ouço a voz distante do meu avô e, nela, reconheço o eco da

minha própria voz.

***

Refiro-me, agora, ao mais importante: àqueles cuja contribuição a

este romance não pode ser estimada, e qualquer agradecimento, ainda que

eloquente, se mostraria falho e artificial. Imagino que em toda construção

configura-se uma dívida impagável. Aqueles, mãos anônimas, que, tantas

vezes com resignação e generosidade, ajudaram a cavar os alicerces, erguer as

paredes, coroar as abóbadas.

O primeiro e grande agradecimento pela realização deste livro, dirijo-o

a minha mulher, Fernanda, aqui presente, que soube como ninguém suportar,

anos a fio, o grande silêncio no qual mergulhei, lagoa sombria, águas sempre

revoltas.

Agradeço imensamente a pessoas, algumas poucas, que leram, em

algum momento, os originais, e cujo incentivo foi decisivo para continuar,

continuar, continuar, sem saber se haveria um fim. Menciono a escritora

Rachel Jardim, juiz-forana ilustre, orgulho das letras brasileiras; Diva Maria

Braga; Moshe Waldmann; Ana Teresa Jardim; Sônia Furtado Graça.

Aqui presente, encontra-se uma dessas pessoas amigas, Maria Diva

Boechat, poetisa de versos sofisticados e de fina elegância, que fez do meu

livro uma leitura obviamente generosa, mas também inteligente, dando-me

sugestões valiosas bem à altura do seu fino gosto literário.

Agradeço a outra nobre poetisa da nossa cidade, Lázara Papandrea,

conhecida de todos nós, que aqui está nos dando a honra de conduzir nosso

encontro, reconhecida pela sua densa e preciosa obra poética. Aqui, devo

mencionar algo que muito me emociona. Lázara concedeu-me o privilégio

de prefaciar este romance. Um prefácio, todos sabemos, tem muito de

convencional e, muitas vezes, de artificial, quando não de simplesmente

dispensável. Acontece que, neste romance, o prefácio de Lázara, uma pequena

página no início de uma narrativa de quase 500 páginas, se revela, na verdade,

como uma gigantesca explosão poética, que enobrece sobremaneira minha

modesta obra.

5

Agradeço à escritora Maria Amorim, que não apenas leu os originais,

intimando-me a prosseguir como também deu suas palavras gentis para a

construção da quarta capa do romance. Ela que é uma escritora de méritos

incomuns, pela delicadeza e inteligência de seu texto, soube encontrar

qualidades neste romance, quando ainda se esboçavam os capítulos iniciais.

Sem aqueles primeiros incentivos vindos dela, eu não teria enfrentado toda a

conturbada aventura de escrever este livro.

Agradeço a Bruno Defilippo Horta, meu último revisor, pela sua grande

contribuição.

Agradeço aos amigos e amigas que estão ajudando na realização deste

evento, José Olavo, Helaine, Graça, Ana Miranda, Angelina Nardy, Luciano

Batista, abrilhantando nosso encontro com suas encantadoras presenças.

Agradeço à FUNALFA, na pessoa de seu superintendente, Antônio

Carlos Siqueira Dutra, e à Fernanda Amaral, secretária da Lei Murilo Mendes,

pela oportunidade que essa instituição me concedeu de viabilizar este projeto.

Sempre será pouco nosso reconhecimento à Lei Murilo Mendes de Incentivo

à Cultura pelas muitas e valiosas realizações que tem viabilizado ao longo dos

Agradeço ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas pelo espaço que

nos permitiu esta gratificante reunião.

pensamento que, em boa medida, se poderia qualificar de derrotista. Tantas

foram as intempéries, os dilúvios, os cataclismos, os desencontros, as

separações, as despedidas, que o horizonte perde a luminosidade dourada

daquela distante manhã da nossa infância, fincada bem no centro de um

grande campo de girasóis de Van Gogh. As cores do poente põem-se a

desmanchar nas sombras da noite. Tudo tão sabido, datado, linóleo pisado ao

longo das décadas e das decepções, calendário desbotado de um ano distante,

esquecido na parede, um velho barco a caminho do derradeiro cais. Mas a

vida é feita muito mais de surpresas do que de certezas. Foi assim, de

surpresa, que encontrei Maria Helena Sleutjes, com a serenidade acolhedora

dos seus olhos azuis. Professora universitária, escritora, poetisa, fundadora do

Selo Editorial Gryphon, dedicado a obras especiais, mas sobretudo uma

pessoa em que o dinamismo e a generosidade se combinam de forma a

conceder-nos, com a sua amizade, obséquios de que, verdadeiramente, não

nos julgamos merecedores. Numa tarde, há quase dois anos, encontrei Maria

Helena no MAMM, Murilo Mendes entre nós. Entreguei-lhe, cheio de

A certa altura da vida, pressentimos infiltrar-se em nós um

6

esperança, os originais deste romance. Semanas depois, ao concluir a leitura,

ela me disse: “Vamos publicá-lo!” Daquela decisão ao dia de hoje, ela

empreendeu uma verdadeira batalha, superando inúmeros pequenos e grandes

obstáculos. Até mesmo quando eu quis desistir, ela, solidária e compreensiva,

deu-me novo ânimo. Sim, não é tarefa para amadores publicar um livro. Toda

uma sofisticada logística tem de ser posta em prática até este momento em

que, finalmente, alcançamos este sonho. Assim, tenho de dizer a todos aqui

presentes que, se este livro, hoje, se materializa, o devemos ao idealismo, à

dedicação, à inteligência e profissionalismo de Maria Helena Sleutjes. Mas que

meu, este livro é teu, Maria Helena! Teu, pelo entusiasmo que você, desde o

início, lhe dedicou! Teu, porque um sonho não se realiza apenas na placidez

do sono, mas no enfrentamento dos dias hostis! Teu, porque ele, um maço de

páginas esquecidas numa velha gaveta, Ígaro abandonado no seu labirinto,

você lhe deu asas, permitiu-lhe o voo para a luz, que, neste momento, todos

podemos, agradecidos, presenciar.

O poeta Moacyr Félix nos fala, em versos memoráveis, da expectativa

de colher, ao fim de tudo, o tempo como o som de um grão de areia, mas que

esse grão de areia tenha sido de uma casa ou ponte, jamais de um deserto.

Tomo de empréstimo essa profunda inspiração poética para lançar ao

redemoinho do tempo este modesto romance como um minúsculo grão de

areia, mas que ele possua o espírito da obra humana, de uma casa ou ponte, e

não do vazio deserto.

Muito obrigado a todos!”

Continuando, Lázara apresentou o poema de Fernando Pessoa sobre o qual Luiz de Almeida fez referência em sua fala:

Não meu, não meu é quanto escrevo.
A quem o devo?
De quem sou o arauto nado?
Por que, enganado,
julguei ser meu o que era meu?
Queoutro mo deu?
Mas, seja como for, se a sorte
for eu ser morte
de uma outra vida que em mim vive,
eu, o que estive
em ilusão roda esta vida
aparecida,
sou grato ao que do pó que sou
me levantou.
(E me fez nuvem um momento
de pensamento).
Ao de quem sou, erguido pó,
símbolo só.

Também foi citado pelo escritor um poema de Moacyr Felix. E para recitar este magistral poema, foi convidada a poetisa Angelina Nardy.

10432472_500535076745946_1414690841937628567_n

Destino. Que é o destino? Que fazer
contra estas sombras íntimas, tão minhas
como o tecido esquivo de mim próprio
preso em meus ossos, latejando um ser
de asas de sal mordendo um chão de ópio?
Ah, destino, oxalá não haja enganos
quando chegar nas pontas dessa teia
de gastos gestos lentos costurados
com o arame triste desses muitos anos!

Quando parar, no tempo, esta alma cheia
de escolhas acabadas, rosa quieta
a desmanchar-se em desenhados ventos,
ah, vida, não me vença a noite alerta
atrás do abismo
e que os abismos incendeia:
deixa eu colher no rosto um rosto certo
do tempo irreversível, som de areia
que já foi casa ou ponte, e não deserto …

Moacyr Félix

A seguir o escritor Luiz Almeida fez a entrega do primeiro exemplar do romance a mim.

entrega do livro

Logo após, foi-me dada a palavra e então, eu disse:

“É uma grande satisfação estar aqui hoje, não só como editor de O MAR NO VIDRO, o que é muito, e também não só como colega do Luiz na formação em psicanálise, o que é um grande prazer, e não só como colega do Luiz no Grupo Café com Poesia ( e Arte), o que é também uma alegria, mas sobretudo, como leitora de seu livro.

Este é um livro que fazz jus ao nome porque se afirma na experiência de viver. Um viver que nem sempre é o que almejamos, mas que sempre é um ir ao encontro dos outros e de si mesmo para nascer tantas vezes quantas forem necessárias, para criar, acreditar, amar e até morrer, com a certeza de que não passamos em branco, com a ceretza de que deixamos pegadas, rastros que nos identificam e nos qualificam nesta jornada.

E este é também um livro brasileiríssimo e ao mesmo tempo universal, fazendo o recorte de uma época e recompondo episódios e paisagens da nossa herança cultural como brasileiros, em seu sentir mais profundo, é cidadão do mundo. É justamente aí, neste ponto, que se reconhece um grande escritor.

Sagaz, observador, meticuloso, usando a palavra com maestria, Luiz Almeida construiu não só uma história mas um grande convite para que façamos com ele uma viagem surpreeendente ao recôndito de nós mesmos, pela identficação com os personagens, lugares, emoções e vivências descritas.
Ao aceitarmos seu convite não sairemos ilesos, porque será preciso um desnudamento para mergulharmos neste mar, símbolo da alma humana, na completa profundidade da caverna dos desejos, sofrer suas desilusões, alimentar suas esperanças, lutar seus conflitos e sentir a mais completa perplexidade diante da vida que tudo supera e ultrapassa.

Então, em nome da Gryphon Edições quero expressar minha gratidão e ressaltar o profissionalismo da equipe envolvida na edição do livro:
A FUNALFA através da Lei Murilo Mendes;
A poetisa Lázara Papandrea que escreveu seu belo prefácio;
Marcos silva, autor da capa;
Bruno Defilippo Horta, seu revisor;
Ana Loureiro que realizou o projeto gráfico, a diagramação e arte final;
Farlei Soares e a equipe da Juizforana Gráfica e Editora, responsáveis pela impressão.

Homenageando neste momento o escritor, gostaria de oferecer flores a sua esposa Fernanda, porque este filho também lhe pertence.

10449929_500535360079251_6356012634487528231_n

Ao escritor uma lembrança da Gryphon Edições para que ele preserve as memórias deste dia.

10427233_500535106745943_986882291529962211_n

Para finalizar, agradecendo ao Luiz a confiança em mim depositada, ergui um brinde:
Vida longa e sucesso para O MAR NO VIDRO! E para seu autor, muitos outros livros!”

Lázara Papandrea, fazenda uso da palavra completou:

Senhoras e senhores, encerrando, então, essa primeira parte do nosso encontro, quero agradecer mais uma vez a presença de todos, e convidá-los ao coquetel nas salas da entrada, quando Luiz Almeida fará a entrega do seu livro a cada um dos prsentes.
Ficamos na dúvida de como isso poderia ser feito de forma organizada. Preferimos, entretanto, deixar que este momento transcorra dentro do espírito de congraçamento que nos une, um tanto aleatoriamente.

Esse momento, então, o Luiz insistiu para que o considerássemos como o mais importante do nosso encontro, ou seja: o livro finalmente chega às mãps do leitor.

unnamed

Seguiram-se os cumprimentos e abraços:

10456772_500533556746098_3469798405994641079_n

10501891_500537143412406_5647355164698153179_n

10492361_500538180078969_5691758590228342006_n

10468066_500539003412220_1391824763517518866_n

10462485_500538236745630_3976521757204302029_n

10413341_500537883412332_2856432833067992367_n

10419559_500539070078880_2389641482205757492_n

10418320_500538706745583_2529328946213011318_n

10404304_500537750079012_7088179268343891495_n

10389295_500539920078795_3884375722830851675_n

1527088_500538133412307_7621321231605168035_n

Maria Helena

10392376_500539753412145_2998936546367113546_n

10360442_500533483412772_8518192236052548611_n

46771_500536200079167_9061566240028690930_n

10360442_500533483412772_8518192236052548611_n

10393151_500536583412462_7998099446634546848_n

10409274_500538200078967_2356874799229350263_n

10481864_500532896746164_6448041499275359491_n

DSCN3598

10403386_500533363412784_707825054288973735_n

10486213_500535910079196_3777186586599572385_n

 

Foi assim…

MOMENTO

golfinhos

Pudesse a vida
ser mais leve
eu navegaria
em suas águas
doces,
como criança
recém-nascida,
que sabe nadar
sem nunca ter
aprendido.

Theodoro e Marina na feira do livro do Colégio João XXIII – JF/MG.

O encontro de Maria Helena Sleutjes com as turmas do quarto ano do Colégio de Aplicação João XXIII, para falar sobre o livro – THEODORO E MARINA: cartas para sentir a infância, aconteceu no dia 28 de maio, durante a Feira do Livro do Colégio.

10177514_486256561507131_5401376121219678666_n

Este convite da professora Vania Fernandes é sempre motivo de muita alegria porque é fruto de um trabalho belíssimo sobre o livro realizado por ela com seus alunos.

A primeira surpresa correu por conta da aluna CLARA RODRIGUES NAZARETH do quarto ano C, que logo na chegada me entregou um envelope com uma cartinha. Vejam na foto abaixo:

10274049_486253758174078_6552068254394608728_n

10323986_486253114840809_2322691447852131776_n

A cartinha da Clara veio com um envelope que continha 3 envelopinhos onde se lia: “leia dentro”. Que delícia foi abrir aqueles envelopes pequeninos e encontrar em cada um recado super bacaninha:

Obrigada por trazer o livro…
Adorei o livro Theodoro e Marina…
Você é uma excelente escritora…

10393825_486256574840463_6499110201379570907_n

Além da carta principal, muito linda, CLARA! Vou guardar com muito carinho!

10363942_486256618173792_5371214185655517821_n

O livro foi realmente lido, isto é compreendido, assimilado, investigado… Ele suscitou diálogos, interpretações, recontagem, cartas escritas, perguntas, respostas, uma grande troca.

10401422_486255398173914_4566435476367671136_n

Tudo isto foi revivido neste encontro e é admirável notar como estes nossos jovens podem dialogar conosco de forma tão saudável e natural.

10307414_486254874840633_4239129931102818966_n

10407847_486255314840589_4068927268867829502_n

Alguns, já demonstrando o gosto pela leitura, outros desejando tornarem-se escritores no futuro, outros ainda, curiosos com as motivações que levam um escritor a produzir… Perguntas não faltaram.

10402661_486256714840449_8330709294586986313_n

10337714_486252848174169_6448658997749884122_n

Todos muito educados, participativos, inteligentes e afetuosos – alunos muito queridos!!! Ontem eu recebi um e-mail de uma das alunas, a GABI NASCIMENTO e adorei o contato!! Acho que ela está na foto abaixo…

10394645_486254231507364_8292738504628898304_n

Além de tudo isto, vejam sobre a mesa, presentes para as autoras e a Claudia Freire Lima vai receber por correio esta adorável lembrança.

10374073_486256771507110_3745222628442122550_n

Depois tivemos fotos e autógrafos, autógrafos e fotos porque a vida ainda pode ser MARAVILHOSA!!!

10428490_486255664840554_5313318242594885752_n

10174949_486255768173877_6105895083830550526_n

10415725_486253778174076_7881944448127845809_n

10329141_486256881507099_1094751743506380831_n

10369137_486256138173840_3770661782783145312_n

10348552_486256268173827_5608932109176893703_n

1377329_486254441507343_6374151915947892774_n

10155185_486256171507170_8150980112703554251_n

10177883_486254224840698_5588015232558150117_n

10367580_486255668173887_1647094058965839769_n

Foi assim…