O MAR NO VIDRO -mais um livro da Gryphon Edições

A Gryphon Edições em parceria com a Funalfa, tem o grande prazer de apresentar o romance “O MAR NO VIDRO” de autoria de Luiz Almeida, cujo lançamento se realizou no dia 26 de junho, no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. Encontro literário organizado pelo autor que contou com a participação de Lázara Papandrea , Wandeley Luiz de Oliveira e Ana Miranda, integrantes do Grupo Café com Poesia ( e Arte), além da presença de diversos escritores, poetas, amigos e convidados do escritor.

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Enquanto as pessoas iam chegando, o músico Luciano Baptista, através do seu violão e gaita, criava o clima de harmonia e descontração que permeou todo o encontro.

Luciano

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A solenidade se iniciou com as palavras de poetisa Lázara Papandrea:

Senhotra e senhores, boa noite!
Sejam bem-vindos a esse encontro para o lançamento do romance O MAR NO VIDRO, do autor LUIZ ALMEIDA, nosso companheiro de encontros literários.

Agradecemos a presença de todos que aqui vieram prestigiar este evento.

O romance O MAR NO VIDRO é resultado de uma parceria do Selo Editorial Gryphon Edições e Funalda, por meio da Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura.

A GRYPHON, jovem editora, é uma empresa já vitoriosa, da nossa querida escritora, poetisa, Maria Helena Sleutjes, conhecida de todos nós pela dedicação ímpar à cultura de nossa cidade.

Realizaremos aqui, neste auditório, uma singela apresentação inicial do livroe, posteriormente, nas salas anexas, será entregue pelo escritor Luiz Almeida um exemplar autografado do romance a cada um dos senhores e senhoras presentes.
Neste momento, então, será oferecido um coquetel para celebrarmos essa que foi uma obra ansiosamente esperada por todos nós.

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Continuando, Lázara disse:

desde o primeiro momento, idealizamos esta solenidade como mais um dos encontros literários, dentro do projeto Café com Poesia ( e Arte), criação de Maria Helena Sleutjes, já no seu quinto ano de profícua existência, atualmente sob a coordenação da nossa querida leila Barbosa, aqui presente, e conta também com a minha participação.
Estamos portanto entre amigos, amigos das letras, quando essa paixão literária nos reúne numa atmosfera informal de alegre encantamento.

Neste momento, Lázara convidou o poeta e escritor Wanderley de Oliveira, presidente da Associação de Cultura Luso-brasileira, que nos apresentará o primeiro exemplar do livro impresso, que ficará aqui na frente, fazendo-nos companhia, objeto de desejo, que logo todos nós teremos em mãos.

Obrigada ao Wanderley, presença sempre simpática nos nossos encontros, pela gentileza de nos trazer o livro.
Então agora, convido a editora Maria Helena Sleutjes e o autor Luiz Almeida para a apresentação de seu romance.

Nossa amiga Graça Julião, perguntou ao Luiz Almeida se haveria uma música que ele julgasse, de alguma forma, representar seu romance (…)Mas ele não titubeou em escolher uma letra musical que, a seu modo de pensar, poderia ser eleita como que uma epígrafe do romance (…) Convido então, nossa querida Ana Miranda que nos recitará a letra dessa bela canção de Chico Buarque, “A moça do sonho”.

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A Moça do Sonho

Chico Buarque

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde à noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais

Então, Lázara prosseguiu: passo a palavra ao escritor Luiz Almeida, que nos falará um pouco sobre seu livro:

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“Este livro, o romance, O mar no vidro, é obra de Ficção. Pode parecer

que aponto, de início, uma característica negativa, pois o que é Ficção não

é real, não é verdade, e menos crédito merece. Entretanto, considero, ao

contrário, que Ficção é mais do que realidade, mais do que história verdadeira.

As avenidas da Ficção são mais largas, mais caudalosos os seus rios, mais

amplos os horizontes de seus mares. A realidade exige a lógica dos episódios

tantas vezes sem lógica. Exige adereços convincentes, gente de carne e osso

andando pelas ruas, na pressa da vida, trabalhando, conquistando, perdendo,

amando, matando – enfim, conjugando seus múltiplos verbos de ser.

Já a Ficção se faz sobre a concretude da realidade, às vezes sobre seus

escombros, outras vezes sobre suas glórias. Certo, não haveria Ficção se não

houvesse realidade: mentes pensando, corações palpitando, braços e pernas

movendo-se no correr das ações humanas. A Ficção, porém, vem depois dos

feitos humanos, de grandeza ou mesquinhez.

Como a luz que incide sobre as águas, quer límpidas, quer turvas, a

Ficção passa ao largo das contingências existenciais. Seus protagonistas, bem

ao contrário dos homens, são tecidos de uma liberdade tão radical que nada

os destrói; mesmo após a morte, se são autênticos, restarão imortalizados.

Cada vez que o livro for aberto, lá estarão eles, prontos para seguir, de novo,

o destino que lhes foi prescrito. Mesmo quando lhes surpreende a morte, no

curso da narrativa, não é o fim peremptório que conhecemos e tememos. Mil

juventudes podem eles desfrutar, se mil vezes recomeçamos sua história.

A Ficção, portanto, é o engenho humano capaz de criar muito além

das possibilidades de criação real. Nela, todas as arquiteturas se equilibram de

pé, ainda que lhes falte o prumo das obras sólidas. Ela está para a literatura

assim como a perspectiva está para a pintura. No desenho de uma paisagem,

a estrada que se afunila até sumir-se no ponto de fuga é tão real a nossos

olhos, ela como que nos incita a percorrê-la indefinidamente, repleta de

surpresas na sua trajetória infinita. A tosca falsidade da perspectiva não nos

inibe a admiração, o encantamento de penetrar sua falsa profundidade, a

risível transcendência de sair de nós mesmos, do nosso sólido referencial, para

mergulhar na fantasia de seus artifícios. Não é, assim, a pintura que nos afeta,

mas nós é que nos entregamos de bom grado aos seus afetos.

Também a Ficção nos oferece a outra face, a outra face da realidade,

nos ilude com a promessa de que tudo é falso, desarmando nossas defesas,

burlando a Grande Censura que, noite e dia, nos policia, ferozmente, o

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pensamento.

Conduzidos pela Ficção, consentindo em seus malabarismos, somos

levados ao encontro da realidade que não julgávamos nossa, a memória nos

trai, nos traz tempos perdidos, fantasmas adormecidos, vivências soterradas

pelo peso das horas longas. Hábil jogo de lentes, a Ficção amplia e reduz

as imagens que nos revela, revela-nos, agigantados na nossa pequenez,

apequenados na nossa arrogância. Diverte-se conosco, verso e reverso,

reconstrói nossa história pessoal; mal nos reconhecemos sob véus tão sutis.

Assim, por meio da Ficção, podemos algo que na realidade sempre nos

escapa: retomar as pontas soltas da vida. Trilhar caminhos abandonados,

reconstruir a casa em ruínas, dar cordas num velho relógio parado num tempo

remoto; enfim, voar, nas asas da fantasia, aos paraísos perdidos na névoa do

esquecimento.

Quão repulsiva seria a revelação da realidade nua e crua! Não caberia

nos olhos a certeza dos gestos frios, dos golpes gratuitos, dos saques

selvagens. Decididamente, a realidade precisa da Ficção, dos seus punhos de

renda, das suas mutações dialéticas, das suas cores cambiantes.

Uma segunda questão – de onde vem este romance – não possui uma

resposta inequívoca. Na verdade, vocês verão uma incerteza no ponto de

partida da narrativa. Podemos falar de uma origem imediata, uma urgência,

que é marca da vulnerabilidade do escritor, sua necessidade, talvez compulsão,

de ter de contar logo sua história, antes que o Grande Tempo o engolfe em

suas dobras plásticas. Essa origem tem pouco valor, porque, sendo quase uma

idiossincrasia, é estreita nos seus limites.

Mas podemos falar também de uma origem remota, essa sim! tem sua

grandeza na própria trajetória humana, na qual origem e destino se esgarçam

num sentido fértil, a ponto de brindar-nos com o sabor do infindo, do

insondável, tão longe restam suas raízes, tão distante podemos imaginar o

alcance de seus tentáculos. Aqui, então, os versos do grande poeta Fernando

Pessoa pudessem sintetizar nosso argumento. Diz ele:

Todo começo é involuntário

Deus é o agente.

Por fim, devemos enfrentar a questão mais árdua: que ideias

professa este romance? Estarão essas ideias à altura da casa onde buscam

ressonância? Para garantir um mínimo de honestidade na devida resposta,

argumentamos em duas direções que se distinguem apenas quanto ao ponto

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de partida. Primeiro, devemos dizer que o herói, o protagonista, desta

narrativa filia-se a uma tradição literária que nos deu grandes realizações

estéticas. É ele o tipo do herói ingênuo, se assim pudermos designá-lo,

ingênuo no sentido específico de não compactuar com a ordem vigente no

mundo em que transita. Ingênuo, no sentido de uma inocência arraigada na

convicção da grandeza da vida humana, inocência apaixonada pela vida e, por

conseguinte, fixada nos valores supremos da solidariedade, da liberdade e da

igualdade. Um mundo a construir-se, portanto. Assim, esse herói, quixotesco

sem dúvida, afasta-se em essência do herói épico, vencedor e vitorioso. O

herói ingênuo não vence as batalhas seculares, porque rejeita lançar mão das

armas que, precipuamente, desacreditam seus ideais. Sua vitória reside

exatamente em suas derrotas, na renúncia ao sucesso a qualquer preço. Para

ele, a vitória não pode ser conquistada sobre cadáveres, quase sempre dos

mais desvalidos. Herói na contramão da sociedade competitiva, erguida sobre

valores flexíveis e oportunistas, em que a verdade é argumento anacrônico e

passadista. Herói cujas vértebras não são o sucesso, a riqueza, o poder e a

glória. Esses valores, tão cobiçados pelo homem contemporâneo, não o

representam nem o seduzem. Herói, sem dúvida alguma, incômodo,

incompreendido, inconveniente. Mas nem por isso, um herói apático,

silencioso, misantropo, que se furta à luta. Herói, por fim, que larga na sua

trajetória de vida um rastro de luz e esperança: outros seguirão seus passos,

empunharão as antigas bandeiras para a conquista de um mundo justo, por

mais frágil que venha se mostrando essa utopia ao longo dos séculos.

Numa segunda direção, diremos que as ideias que permeiam este

romance decorrem da tradição literária ocidental. Por mais que busquemos

singularidades e inovações, estilo próprio, refiguração da palavra, o punho

do escritor quanto mais livre mais se engaja nas linhas de força que a herança

literária, ao correr das gerações, decidiu por ideal.

Assim, a pretensa originalidade do autor, quando não sua

excentricidade, não autoriza a renegar influências diretas ou remotas. As

primeiras palavras que ouvimos, quando ainda nada nos significavam além de

uma insólita melodia, como não sentir-se herdeiro da linguagem própria de

uma época e de uma gente? Cito de novo o poeta português, Grande Pessoa,

num dos seus poemas mais inspirados, nos ensina o valor da herança literária.

Diz ele:

Julguei ser meu o que era meu

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Eu também poderia pensar que é meu o que era meu. Mas não era meu,

absolutamente meu. Já veio de outras mentes, de outros corações, moldando-
se nos embates, seixos rolados, polindo e sendo polidos, aprendendo e

ensinando – ouço a voz distante do meu avô e, nela, reconheço o eco da

minha própria voz.

***

Refiro-me, agora, ao mais importante: àqueles cuja contribuição a

este romance não pode ser estimada, e qualquer agradecimento, ainda que

eloquente, se mostraria falho e artificial. Imagino que em toda construção

configura-se uma dívida impagável. Aqueles, mãos anônimas, que, tantas

vezes com resignação e generosidade, ajudaram a cavar os alicerces, erguer as

paredes, coroar as abóbadas.

O primeiro e grande agradecimento pela realização deste livro, dirijo-o

a minha mulher, Fernanda, aqui presente, que soube como ninguém suportar,

anos a fio, o grande silêncio no qual mergulhei, lagoa sombria, águas sempre

revoltas.

Agradeço imensamente a pessoas, algumas poucas, que leram, em

algum momento, os originais, e cujo incentivo foi decisivo para continuar,

continuar, continuar, sem saber se haveria um fim. Menciono a escritora

Rachel Jardim, juiz-forana ilustre, orgulho das letras brasileiras; Diva Maria

Braga; Moshe Waldmann; Ana Teresa Jardim; Sônia Furtado Graça.

Aqui presente, encontra-se uma dessas pessoas amigas, Maria Diva

Boechat, poetisa de versos sofisticados e de fina elegância, que fez do meu

livro uma leitura obviamente generosa, mas também inteligente, dando-me

sugestões valiosas bem à altura do seu fino gosto literário.

Agradeço a outra nobre poetisa da nossa cidade, Lázara Papandrea,

conhecida de todos nós, que aqui está nos dando a honra de conduzir nosso

encontro, reconhecida pela sua densa e preciosa obra poética. Aqui, devo

mencionar algo que muito me emociona. Lázara concedeu-me o privilégio

de prefaciar este romance. Um prefácio, todos sabemos, tem muito de

convencional e, muitas vezes, de artificial, quando não de simplesmente

dispensável. Acontece que, neste romance, o prefácio de Lázara, uma pequena

página no início de uma narrativa de quase 500 páginas, se revela, na verdade,

como uma gigantesca explosão poética, que enobrece sobremaneira minha

modesta obra.

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Agradeço à escritora Maria Amorim, que não apenas leu os originais,

intimando-me a prosseguir como também deu suas palavras gentis para a

construção da quarta capa do romance. Ela que é uma escritora de méritos

incomuns, pela delicadeza e inteligência de seu texto, soube encontrar

qualidades neste romance, quando ainda se esboçavam os capítulos iniciais.

Sem aqueles primeiros incentivos vindos dela, eu não teria enfrentado toda a

conturbada aventura de escrever este livro.

Agradeço a Bruno Defilippo Horta, meu último revisor, pela sua grande

contribuição.

Agradeço aos amigos e amigas que estão ajudando na realização deste

evento, José Olavo, Helaine, Graça, Ana Miranda, Angelina Nardy, Luciano

Batista, abrilhantando nosso encontro com suas encantadoras presenças.

Agradeço à FUNALFA, na pessoa de seu superintendente, Antônio

Carlos Siqueira Dutra, e à Fernanda Amaral, secretária da Lei Murilo Mendes,

pela oportunidade que essa instituição me concedeu de viabilizar este projeto.

Sempre será pouco nosso reconhecimento à Lei Murilo Mendes de Incentivo

à Cultura pelas muitas e valiosas realizações que tem viabilizado ao longo dos

Agradeço ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas pelo espaço que

nos permitiu esta gratificante reunião.

pensamento que, em boa medida, se poderia qualificar de derrotista. Tantas

foram as intempéries, os dilúvios, os cataclismos, os desencontros, as

separações, as despedidas, que o horizonte perde a luminosidade dourada

daquela distante manhã da nossa infância, fincada bem no centro de um

grande campo de girasóis de Van Gogh. As cores do poente põem-se a

desmanchar nas sombras da noite. Tudo tão sabido, datado, linóleo pisado ao

longo das décadas e das decepções, calendário desbotado de um ano distante,

esquecido na parede, um velho barco a caminho do derradeiro cais. Mas a

vida é feita muito mais de surpresas do que de certezas. Foi assim, de

surpresa, que encontrei Maria Helena Sleutjes, com a serenidade acolhedora

dos seus olhos azuis. Professora universitária, escritora, poetisa, fundadora do

Selo Editorial Gryphon, dedicado a obras especiais, mas sobretudo uma

pessoa em que o dinamismo e a generosidade se combinam de forma a

conceder-nos, com a sua amizade, obséquios de que, verdadeiramente, não

nos julgamos merecedores. Numa tarde, há quase dois anos, encontrei Maria

Helena no MAMM, Murilo Mendes entre nós. Entreguei-lhe, cheio de

A certa altura da vida, pressentimos infiltrar-se em nós um

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esperança, os originais deste romance. Semanas depois, ao concluir a leitura,

ela me disse: “Vamos publicá-lo!” Daquela decisão ao dia de hoje, ela

empreendeu uma verdadeira batalha, superando inúmeros pequenos e grandes

obstáculos. Até mesmo quando eu quis desistir, ela, solidária e compreensiva,

deu-me novo ânimo. Sim, não é tarefa para amadores publicar um livro. Toda

uma sofisticada logística tem de ser posta em prática até este momento em

que, finalmente, alcançamos este sonho. Assim, tenho de dizer a todos aqui

presentes que, se este livro, hoje, se materializa, o devemos ao idealismo, à

dedicação, à inteligência e profissionalismo de Maria Helena Sleutjes. Mas que

meu, este livro é teu, Maria Helena! Teu, pelo entusiasmo que você, desde o

início, lhe dedicou! Teu, porque um sonho não se realiza apenas na placidez

do sono, mas no enfrentamento dos dias hostis! Teu, porque ele, um maço de

páginas esquecidas numa velha gaveta, Ígaro abandonado no seu labirinto,

você lhe deu asas, permitiu-lhe o voo para a luz, que, neste momento, todos

podemos, agradecidos, presenciar.

O poeta Moacyr Félix nos fala, em versos memoráveis, da expectativa

de colher, ao fim de tudo, o tempo como o som de um grão de areia, mas que

esse grão de areia tenha sido de uma casa ou ponte, jamais de um deserto.

Tomo de empréstimo essa profunda inspiração poética para lançar ao

redemoinho do tempo este modesto romance como um minúsculo grão de

areia, mas que ele possua o espírito da obra humana, de uma casa ou ponte, e

não do vazio deserto.

Muito obrigado a todos!”

Continuando, Lázara apresentou o poema de Fernando Pessoa sobre o qual Luiz de Almeida fez referência em sua fala:

Não meu, não meu é quanto escrevo.
A quem o devo?
De quem sou o arauto nado?
Por que, enganado,
julguei ser meu o que era meu?
Queoutro mo deu?
Mas, seja como for, se a sorte
for eu ser morte
de uma outra vida que em mim vive,
eu, o que estive
em ilusão roda esta vida
aparecida,
sou grato ao que do pó que sou
me levantou.
(E me fez nuvem um momento
de pensamento).
Ao de quem sou, erguido pó,
símbolo só.

Também foi citado pelo escritor um poema de Moacyr Felix. E para recitar este magistral poema, foi convidada a poetisa Angelina Nardy.

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Destino. Que é o destino? Que fazer
contra estas sombras íntimas, tão minhas
como o tecido esquivo de mim próprio
preso em meus ossos, latejando um ser
de asas de sal mordendo um chão de ópio?
Ah, destino, oxalá não haja enganos
quando chegar nas pontas dessa teia
de gastos gestos lentos costurados
com o arame triste desses muitos anos!

Quando parar, no tempo, esta alma cheia
de escolhas acabadas, rosa quieta
a desmanchar-se em desenhados ventos,
ah, vida, não me vença a noite alerta
atrás do abismo
e que os abismos incendeia:
deixa eu colher no rosto um rosto certo
do tempo irreversível, som de areia
que já foi casa ou ponte, e não deserto …

Moacyr Félix

A seguir o escritor Luiz Almeida fez a entrega do primeiro exemplar do romance a mim.

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Logo após, foi-me dada a palavra e então, eu disse:

“É uma grande satisfação estar aqui hoje, não só como editor de O MAR NO VIDRO, o que é muito, e também não só como colega do Luiz na formação em psicanálise, o que é um grande prazer, e não só como colega do Luiz no Grupo Café com Poesia ( e Arte), o que é também uma alegria, mas sobretudo, como leitora de seu livro.

Este é um livro que fazz jus ao nome porque se afirma na experiência de viver. Um viver que nem sempre é o que almejamos, mas que sempre é um ir ao encontro dos outros e de si mesmo para nascer tantas vezes quantas forem necessárias, para criar, acreditar, amar e até morrer, com a certeza de que não passamos em branco, com a ceretza de que deixamos pegadas, rastros que nos identificam e nos qualificam nesta jornada.

E este é também um livro brasileiríssimo e ao mesmo tempo universal, fazendo o recorte de uma época e recompondo episódios e paisagens da nossa herança cultural como brasileiros, em seu sentir mais profundo, é cidadão do mundo. É justamente aí, neste ponto, que se reconhece um grande escritor.

Sagaz, observador, meticuloso, usando a palavra com maestria, Luiz Almeida construiu não só uma história mas um grande convite para que façamos com ele uma viagem surpreeendente ao recôndito de nós mesmos, pela identficação com os personagens, lugares, emoções e vivências descritas.
Ao aceitarmos seu convite não sairemos ilesos, porque será preciso um desnudamento para mergulharmos neste mar, símbolo da alma humana, na completa profundidade da caverna dos desejos, sofrer suas desilusões, alimentar suas esperanças, lutar seus conflitos e sentir a mais completa perplexidade diante da vida que tudo supera e ultrapassa.

Então, em nome da Gryphon Edições quero expressar minha gratidão e ressaltar o profissionalismo da equipe envolvida na edição do livro:
A FUNALFA através da Lei Murilo Mendes;
A poetisa Lázara Papandrea que escreveu seu belo prefácio;
Marcos silva, autor da capa;
Bruno Defilippo Horta, seu revisor;
Ana Loureiro que realizou o projeto gráfico, a diagramação e arte final;
Farlei Soares e a equipe da Juizforana Gráfica e Editora, responsáveis pela impressão.

Homenageando neste momento o escritor, gostaria de oferecer flores a sua esposa Fernanda, porque este filho também lhe pertence.

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Ao escritor uma lembrança da Gryphon Edições para que ele preserve as memórias deste dia.

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Para finalizar, agradecendo ao Luiz a confiança em mim depositada, ergui um brinde:
Vida longa e sucesso para O MAR NO VIDRO! E para seu autor, muitos outros livros!”

Lázara Papandrea, fazenda uso da palavra completou:

Senhoras e senhores, encerrando, então, essa primeira parte do nosso encontro, quero agradecer mais uma vez a presença de todos, e convidá-los ao coquetel nas salas da entrada, quando Luiz Almeida fará a entrega do seu livro a cada um dos prsentes.
Ficamos na dúvida de como isso poderia ser feito de forma organizada. Preferimos, entretanto, deixar que este momento transcorra dentro do espírito de congraçamento que nos une, um tanto aleatoriamente.

Esse momento, então, o Luiz insistiu para que o considerássemos como o mais importante do nosso encontro, ou seja: o livro finalmente chega às mãps do leitor.

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Seguiram-se os cumprimentos e abraços:

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Maria Helena

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Foi assim…

MOMENTO

golfinhos

Pudesse a vida
ser mais leve
eu navegaria
em suas águas
doces,
como criança
recém-nascida,
que sabe nadar
sem nunca ter
aprendido.

Theodoro e Marina na feira do livro do Colégio João XXIII – JF/MG.

O encontro de Maria Helena Sleutjes com as turmas do quarto ano do Colégio de Aplicação João XXIII, para falar sobre o livro – THEODORO E MARINA: cartas para sentir a infância, aconteceu no dia 28 de maio, durante a Feira do Livro do Colégio.

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Este convite da professora Vania Fernandes é sempre motivo de muita alegria porque é fruto de um trabalho belíssimo sobre o livro realizado por ela com seus alunos.

A primeira surpresa correu por conta da aluna CLARA RODRIGUES NAZARETH do quarto ano C, que logo na chegada me entregou um envelope com uma cartinha. Vejam na foto abaixo:

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A cartinha da Clara veio com um envelope que continha 3 envelopinhos onde se lia: “leia dentro”. Que delícia foi abrir aqueles envelopes pequeninos e encontrar em cada um recado super bacaninha:

Obrigada por trazer o livro…
Adorei o livro Theodoro e Marina…
Você é uma excelente escritora…

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Além da carta principal, muito linda, CLARA! Vou guardar com muito carinho!

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O livro foi realmente lido, isto é compreendido, assimilado, investigado… Ele suscitou diálogos, interpretações, recontagem, cartas escritas, perguntas, respostas, uma grande troca.

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Tudo isto foi revivido neste encontro e é admirável notar como estes nossos jovens podem dialogar conosco de forma tão saudável e natural.

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Alguns, já demonstrando o gosto pela leitura, outros desejando tornarem-se escritores no futuro, outros ainda, curiosos com as motivações que levam um escritor a produzir… Perguntas não faltaram.

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Todos muito educados, participativos, inteligentes e afetuosos – alunos muito queridos!!! Ontem eu recebi um e-mail de uma das alunas, a GABI NASCIMENTO e adorei o contato!! Acho que ela está na foto abaixo…

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Além de tudo isto, vejam sobre a mesa, presentes para as autoras e a Claudia Freire Lima vai receber por correio esta adorável lembrança.

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Depois tivemos fotos e autógrafos, autógrafos e fotos porque a vida ainda pode ser MARAVILHOSA!!!

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Foi assim…

Palestra – Prazer em conhecer Murilo Mendes

No último encontro do Grupo Café com Poesia ( e Arte), no dia 16 de maio de 2014, no auditório da FUNALFA, apresentei meu livro sobre Murilo Mendes ainda não publicado – PRAZER EM CONHECER MURILO MENDES:

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Falando inicialmente sobre o livro, tivemos Leila Barbosa e Marisa Timponi que escreveram o prefácio. Especialistas em Murilo Mendes, estudiosas, professoras e pesquisadoras do grande poeta, elas me honraram com o texto do prefácio e esta tocante abertura.

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CONVERSAS MURILIANAS – CONFIRMAÇÃO

Por Leila Barbosa & Marisa Timponi

Prazer em conhecer – diz Maria Helena Sleutjes, referindo-se a Murilo Mendes.

Pois o prazer é todo meu, certamente responderá o poeta, encantado pela sensibilidade dessa nova sócia do clube muriliano.

Há muito viemos travando múltiplos diálogos com Murilo Mendes: divertimo-nos com seu sense of humour de Conversa portátil, dos poemas-minutos; refletimos a história da cultura e das artes plásticas, em A Invenção do finito; revimos e revivemos o seu trajeto de criação desde Poemas até Ipotesi, incluindo sua prosa poética, no exercício de reconhecimento do processo convergente/divergente, memorialístico, metalinguístico, ecfrásico, criativo e renovado por seus grafitos e murilogramas; aprofundamo-nos  no reflexo do encontro e da amizade profunda entre Murilo e Ismael Nery.

Agora, fomos convocadas a compartilhar e “confirmar” a viagem dialogal, intertextual e poética da moça da biblioteca com o poeta maior. O resultado, o livro Prazer em conhecer: um olhar poético sobre a vida e obra de Murilo Mendes, é o natural e esperado encontro amigável de poetas num “Café com poesia e arte”: há leveza, coloquialismo, filosofia e profundidade…

Encontro, de encontrare, é possibilidade de (re)conhecimento, é uma ponte que une e separa, mas que sempre acrescenta. A existência humana é, em seu nível mais fundamental, inerentemente relacional. Giovanetti reserva o termo encontro “para uma situação onde o outro (aquele com o qual se entra em relação) afeta, de alguma maneira, o curso de uma existência, principalmente na dimensão em que ele (o outro) faz crescer”. Assim, o encontro pode mudar o rumo de uma vida. É impossível falar de encontro sem considerar a obra de Martin Buber, filósofo austríaco, que pensa o homem como um ser: que se constitui como ser humano através do ”entrar em relação”, que fundamenta sua existência a partir do seu atuar no mundo, que é a expressão da linguagem que usa. É a afirmação de que o homem é um ser em relação, ser-com o mundo.

Já o contexto da amizade, dá-se pela philia, um amor ágape, superior e incondicional, de profunda admiração e troca de emoções e experiências, que só é possível entre amigos fiéis, de olhar comum e que instaura a felicidade.

O encontro com Murilo Mendes-poeta fez, portanto, crescer em Maria Helena uma relação de amizade em encantamento, e o convívio fez nascer questionamentos a respeito da vida e obra de um homem que empresta seu nome a uma série de instituições, museu, rua, edifício, escola, lei – uma curiosidade respeitável, ainda mais por respirar diariamente o ar de um ambiente quase que exclusivamente muriliano.

Assim, surge uma poesia deslumbrada e crítica, enquanto mescla sentimento com números de catalogação dos livros do poeta e de sua biblioteca, pertencentes hoje ao MAMM da UFJF.

Participar do banquete dos deuses constitui-se em um estado de graça que ilumina  quem se aproxima. Assim acontece com o texto de Maria Helena, pois tal como Murilo fez, em sua marginália, interferências nos livros dos autores lidos com os quais dialogava, a autora, murilianamente, usando a escrita do autor em questão como porta-voz, fez sua marginália, a ponto de dar uma forma de versos ao texto “Absurdo do aliás” de Tio Chicó, ciente do sempre estado de poesia de Murilo Mendes, aliás, com toda pertinência.

A postura existencial de Maria Helena e em Prazer em conhecer… confirmam o irrevogável estado de poesia, anunciado por Murilo Mendes: “Viver a poesia é muito mais necessário e importante do que escrevê-la”.

 

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Lázara Papandrea na abertura do encontro e depois foi a vez de Luiz Almeida tecendo o belo comentário que fez para o livro:

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Prazer  em conhecer Murilo Mendes – comentário de Luiz Almeida

Algumas vezes, acerquei-me da morada de Murilo Mendes. Entre receoso e envergonhado, bati-lhe à porta, que não se abriu. Não insisti. Não saberia, mesmo, o ritual que lá se fazia trivial, a solenidade das tiradas de espírito, o maneio aristocrático de transitar entre o vulgar, as segundas, terceiras e quintas intenções na expressão poética refinada. Murilo, para mim, me parecia um muro, blocos de cristal translúcido, que só os iniciados penetram, não tanto pelo que subtrai ao comezinho entendimento, mas pelo que extravasa das fronteiras de sua fortaleza. Sim, a morada de Murilo se me deparava uma fortaleza, arquitetura eclética, todos os estilos integrados num grande feudo, reino de uma poética guarnecida de falanges multiculturais.Poeta europeu, imperando no centro do mundo intelectual, tão distante da pequenez de um simples habitante da Zona da Mata Mineira, como alcançar-lhe a fímbria do manto purpúreo?Agora, ao terminar a leitura emocionada dessa inspirada obra — Prazer em conhecer Murilo Mendes—, já tenho a resposta:Aqui, Murilo Monteiro Mendes, um gigante da criação poética, se faz um Murilo juiz-forano, retorna à sua cidade, conversa conosco e nos fala de dentro de sua obra.Prazer em conhecer consegue essa mágica de arrancar o poeta do silêncio de sua vasta e consagrada obra — livro fechado! — para nos oferecê-lo vivo, palpitante, disposto ao debate, revelando-nos sua inteligência e ironia, sua visão estética, sua irrefreável rebeldia. Não se trata de um livro em que a autora fala sobre o poeta, exumação de um pretérito envolto em teias de aranha, ou de um enfado biográfico, mas trata-se, sim, de um diálogo vibrante, rico de revelações significativas, explicativas, da poética muriliana. Um diálogo do qual somos convidados a participar, porque a autora soube muito bem fazer suas nossas indagações ao poeta — livro aberto!Prazer em conhecer é, por outro lado, uma sutil e refinada análise crítica de Murilo Mendes, apresentando um rico encadeamento de citações e opiniões dos mais consagrados estudiosos das letras brasileiras, sem com isso afugentar o leitor comum, pois a autora afasta-se do academicismo elitista para nos falar, poeticamente, da pura e genuína poesia. Mais do que desejado, é um livro necessário para a valorização do grande poeta desta terra, que não se pode aceitar silencioso, refém de um museu e sua atmosfera, ainda que solene, e deve, e precisa, vir às ruas, ao caos urbano que ele, com insubmissa paixão, tão bem soube viver e cantar.Da leitura deste belo e elegante livro, generosamente enriquecido com uma seleção de peças do próprio Murilo — poemas, murilogramas, textos e comentários — nos sentimos agraciados com um passaporte intelectual para a prodigiosa viagem, não sem assombros, pela densa criação artística desse poeta tão singular, gigante de erudição como nenhum outro, conquistador de feudos conquistadores.A mim, tocou-me profundamente, o texto sobre o mendigo Dudu, morador da (e não: “na” ou “à”!) antiga Rua Direita. Sim, é apenas um mendigo, um entre milhares mundo afora, refém da sua fétida, e suja, e repugnante, mendicância. Murilo Mendes, entretanto, magnetizado por esse pária sub-humano, e possuído de um dom poético extraordinário, arranca esse pobre-diabo de sua cruel miséria para cravá-lo num símbolo hiper-real, paroxismo da miséria também humana dos não-miseráveis. Texto de uma denúncia sutil, de uma beleza trágica, de uma contundência poética, que nos ensurdece pelo clamor da solidariedade, a que mecanicamente fazemos ouvidos de mercador.Não menos emocionante é o capítulo dedicado a Ismael Nery. Aqui, encontramos a poesia dentro da poesia, o poeta dentro do poeta, uma inversão e imersão da luz na luz, radiância de um encontro verdadeiramente religioso, além e acima da humana condição. Ismael morre, ou não morre, porque, ressuscitado pela revelação, se eterniza no coração do poeta ou alça o voo eterno pela fé, sentimento que revoga a razão e seus cruéis corolários. Ismael, cordeiro imolado às musas, sublima-se na crença da vida que triunfará da morte.O Murilo Mendes que surge desta obra, deste diálogo vivo, permanece o poeta de grande envergadura. Você, Maria Helena, por deslumbrada admiração que fosse, não o espichou para um mais (porque ele já era um maior), não o reduziu para caber num opúsculo de divulgação (porque ele romperia qualquer arcabouço artificial), você conseguiu a justa medida e soube falar do homem, do poeta, do artista, do cidadão do mundo, e isso nos encanta além da conta! Murilo, despido de suas refinadas argúcias, vestido do seu amor pela terra mineira, está entre nós! Aleluia!Por fim, o não menos erudito nem menos poético prefácio assinado por Leila e Marisa, as sacerdotisas desse fabuloso templo que é a obra muriliana.Este livro pede uma publicação urgente e pede o aplauso de quantos amam a poesia e de quantos aprenderão a cultivar esse amor por meio das lições que sua edificante e cativante leitura nos traz.

 

Minha gratidão eterna a estes queridos escritores e amigos que tão bem sentiram o livro e participaram comigo deste momento especial

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Evidentemente não daria para trazer toda a obra e por isso fui pinçando os aspectos que julguei mais importantes sobre a obra e o autor.
Comecei assim:

Murilo Mendes é,  sem dúvida alguma, o poeta mais erudito e requintado da literatura brasileira. Muitas vezes se torna difícil conhecer seu belo mundo, surreal, pós-moderno e singular. E a minha proposta foi expressar a minha visão do poeta e a forma como o apreendi durante a experiência na biblioteca particular do escritor no Museu de Arte Murilo Mendes que pertence a UFJF.

 

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O livro se divide em 11 capítulos, quais sejam:

SUMÁRIO
1.Rota
2.No início era o início
3.Era jovem, era terno este reino de metamorfoses
4.Listando estranhamentos
5.O fogo do espírito
6.Sua Eva, sua Fênix, sua Górgone
7.O olho armado da palavra essencial
8.Poliédricos mitologemas
9.Dialogicamente amigo
10.O poeta colecionador
11.Prazer em conhecer
Aqui um pedacinho do início para mostrar o tom do diálogo estabelecido entre Murilo Mendes e eu:

1. ROTA

Ele me disse – Olá – na tarde lenta e silente e acrescentou:
TUDO QUE VEJO TOCO.  Sorri. Estava realmente tocada por aquela atmosfera. MM eram iniciais que apareciam por toda parte. Que iniciais seriam estas?
-Não são dois M, são três MMM, ele acrescentou e depois calou-se por longo tempo.
Percorri as estantes como quem procura o espírito dos livros.
Onde estaria ele senão em sua biblioteca??
Como se conhece um escritor, pergunto-me.
Traço uma rota. Apanho o mapa de Juiz de Fora, esta cidade meio mineira, meio carioca, e vejo: bem aqui nasceu Murilo Mendes.
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Aquela percepção capaz de misturar presente e futuro!!
Aquela forma de expressão surreal e perplexa!
Aquela visão de liberdade atemporal e incapturável!
Estou falando de  MURILO  MENDES, poeta do mundo, nascido em JUIZ DE FORA e que ainda está por aqui.
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Vista de frente do prédio do Museu de Arte Murilo Mendes em Juiz de Fora – MG.

2. NO INÍCIO ERA O INÍCIO

Foi ele mesmo que melhor contou a sua história em seu livro – A idade do serrote: “ Adão e Eva – complementares e adversativos(…) Meus pais: Onofre e Elisa Valentina, Adão e Eva descendentes.”

Estamos em 1901 – “ Não me vi nascer, não me recordo de nada que se passou naquele tempo. Na verdade nascemos a posteriori.”

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A INFLUÊNCIA DA MÚSICA

“Nasci coisando, nasci com a música…
(…)Cheira a domingo, é a flauta de Isidoro da flauta que se aproxima, uma pequena festa levantada no eco, jasmins do cabo orvalhando, o vácuo expulso, a evaporação da mágoa, um subcéu incorporado à curva do meu ouvido: segundo Rimbaud, um vento de diamantes.”

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A INFLUÊNCIA DA CIDADE

“ temporal sobre a cidade. Chuva de granizos. O arco-íris no morro do Imperador”

Quando não chovia, o poeta dizia: “ deschove, estende-se o lençol da azulidade, quero voar, desde cedo tinha essa mania, pensando bem queria voar-me; sentia-me humilhado pelos bichos, moscas, besouros, passarinhos; voar-se eis o problemas, o antiprêmio da eternidade…”

“ Primeiros instrumentos hostis: serra, serrote, machado, martelo, tesoura, torquês: via-os por toda a parte, símbolos torcionários” e parece que já neste tempo queria nos dizer: EU SINTO.

3. ERA JOVEM, ERA TERNO, ESTE REINO DE METAMORFOSES.

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- O QUE PODERIA TRADUZI-LO MELHOR QUE ESTE POEMA?

As têmporas de Antonieta
As têmporas da begônia
As têmporas da romã
As têmporas da maçã
As têmporas da hortelã
As pitangas temporãs
O tempo temporão
O tempo será
As têmporas do tempo
O temporal do tempo
Os tambores do tempo
As mulheres temporãs
O tempo atual, superado por um tempo
de outra dimensão
e que não é aquele tempo.
Temporizemos.

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A tarde caia e os pássaros voavam enlouquecidos para se abrigarem na árvore que fica em frente ao prédio do MAMM. Os carros acendiam suas luzes e iam riscando de vermelho a paisagem sob a chuva. Eu estava com Murilo Mendes, sobretudo ouvindo-o dizer-me de seu universo poético; “ cedo começou minha fascinação pelos dois mundos, o visível e o invisível”…

A influência de Belmiro Braga:

“ Belmiro cumprimenta os pássaros belmirianos, informa-se sobre o nome das plantas, bichos, flores, conversa entrante e sainte, troça de certos melancólicos poetas da cidade ou do Rio, conta casos diversos. É a minha segunda Scherazade…”

Murilo confessou-me que encarava a “poesia como fenômeno diário, constante, permanente, eterno e universal”. Podem reparar que a poesia muriliana é “ amelódica”, livre da paupérrima convenção da métrica” e em seu lirismo, classificado por ele mesmo como dialético, há uma constante conciliação dos contrários, senão vejamos:

Amor! Amor!
Palavra que cria
E consome os seres.
Fogo, fogo do inferno!
Melhor que o céu.

Murilo Mendes

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Quase todos os dias quando voltava do cafezinho no Museu, encontrava Murilo em sua biblioteca, na sala de tijolos de vidro, observando as marginálias de seus livros com as suas anotações. Murilo sorria e dizia: “ sinto-me compelido ao trabalho literário pelo desejo de suprir lacunas da vida real; pela minha teimosia em rejeitar os “avances” da morte…

A passagem do Cometa Halley

O próprio Murilo declara que durante as três noites em que o cometa apareceu, não dormiu um minuto sequer.

Almir de Oliveira acrescenta: quando o cometa Halley apareceu como uma imensa pincelada de prata, dada por Deus no firmamento, o menino Murilo foi tomado de inquieta fascinação.

Murilo disse: “ nunca vi coisa tão bela do que aquele corpo luminoso, com sua enorme cauda resplandecente de estrela, passeando pelo céu da minha cidade natal… A subversão da vista. A primeira ideia do cosmo” .

Murilo chegou a afirmar que este talvez tenha sido o primeiro instante em que se sentiu tocado pela POESIA.

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A fuga do colégio Santa Rosa

para ver Nijinski dançar um balé de Diaghilev no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Ao que ele dirá: “Nijinski atrai a força do universo”

4. LISTANDO ESTRANHAMENTOS

Destaco aqui o texto para o Tio Chicó:

Os abismos do aliás.

Quando tio Chicó empregava impropriamente
O advérbio “aliás” ( por exemplo: disse-me Marieta que aliás
não ia sair), então é que ele resplandecia,
verbo que aliás somente agora reencontro,
aliás depois de há muitos anos
o ter topado na letra do hino nacional,
aliás um abismo de contradições,
como aliás todos nós brasileiros,
aliás qualquer homem,
aliás não sei se os outros bichos também,
aliás a antropologia estrutural
e a linguística aliadas
talvez possam responder
aliás em futuro distante.

( Murilo Mendes)

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5. O FOGO DO ESPÍRITO

Este capítulo trata da religiosidade em Murilo Mendes…
Recorto apenas sua conclusão:

De tudo que aprendi sobre Murilo, o religioso, concluí que Murilo preferiu praticar a religião do dia a dia e chegou mesmo a declarar: “ movido por um instinto profundo, sempre procurei sacralizar o cotidiano, desbanalizar a vida real, criar ou recriar a dimensão do féerico (…) De resto, penso que fomos feitos para pesquisar o que existe de humano em Deus, e de divino no homem”.

6. SUA EVA, SUA FÊNIX, SUA GÓRGONE

Sentada na cadeira de Murilo, que ninguém sabia no Museu se era mesmo de Murilo, girava de lá para cá, procurando adivinhar sua vida amorosa. Tudo me indicava que o encantador poeta tenha tido estranhos, exóticos e inumeráveis amores. Cada homem tem a sua Eva, dizia ele, sua Fênix e sua Górgone.
Ana Lu, Claudia, Margui, Carmem, Florinda e Forentina, Adelaide ( professora de harpa), Asta Nielsen, Adalgisa Nery …

Adalgisa e Murilo Mendes

E Maria da Saudade Cortesão, com quem se casou..

Murilo e Saudade

Murilo dedicou-lhe o poema da tarde:

E dentre os primeiros véus surge
Maria da Saudade
Que sem querer, canta.

Um murilograma em Convergências:

“ Mulher toda sal e espuma
Filha e neta de altos entes
Companheira de arte-vida
A tua medida é única…”

Daniela Neves, observa que o motivo feminino revelou-se pesquisa intensa do poeta, fazendo surgir imagens fortes da figura feminina como elemento de transgressão e de representação de um universo humano complexo. O poema Cordélia, confirma esta afirmação:

Eu quero te construir nuvem
Mas Cordélia tu és mulher
Às vezes temo por ti
Cordélia tão delicada
Mal pousas na terra.
Os cavalos migradores
Um dia te levarão

Murilo Mendes

7. O OLHO ARMADO DA PALAVRA ESSENCIAL

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Sua obra poética se sustenta em três pilares:
Transcendência
Exuberância
Sensualismo

O projeto poético de Murilo Mendes extrapola a estética. José Marinho do Nascimento observa que o poeta conduz o texto abaixo, do mundo pré-socrático, atravessa a filosofia cristã seiscentista, até chegar ao moderno:

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
É a circulação e o movimento infinito.
Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
Murilo Mendes

Guilherme Merquior viu na poética Murilo, uma poética delirantemente sonhadora, mas enamorada do real, até por ser estranhamente erótica – um anarcoerotismosurreal
O mar abre a janela sobre Vênus
Murilo Mendes

Segundo Merquior o sentido transcendentalmente libertador da existência será buscado na bagunça carnavalesca, conjurada pela forma e fundo de um verso livre, endiabrado, explosivo e irreverente. Então escolhi um pequeno poema para ilustrar suas palavras:

A palavra nasce-me
Fere-me
Mata-me
Coisa-me
Ressuscita-me
Murilo Mendes

Museu

É o próprio Murilo Mendes que me confessa: “ tudo o que é genuíno e simples contém um elemento novo e revolucionário”. Preocupado em traduzir-se, Murilo disse-me que optou pela literatura, mas se sentia múltiplo, desarticulado, longe como o diabo, nada o fixava no caminho do mundo. E acrescentou: “ a poesia é a terra dos homens e a prática dos deuses”.
Marisa Timponi e Leila Barbosa nos lembram que Murilo, travando batalhas com as palavras, nos deixou o verbo “orfar”.
Lacerado pelas palavras-bacantes,
Visíveis táteis audíveis
Orfeu
Impede mesmo assim sua diáspora,
Mantendo-lhes o nervo & a sigma.

Orfeu Orftu Orfele
Orfnós Orfvós Orfeles

Murilo Mendes

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Murilograma a Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho da poesia
Selva selvageria
Território adrede
Desarrumado
Onde palavras-fera nos agridem
Encontrei Carlos Drummond de Andrade
Esquipático
Fino flexível
Ácido
Lúcido
Até o osso.
Murilo Mendes

9. DIALOGICAMENTE AMIGO

A casa do poeta esteve sempre impregnada do que Luciana Pichio chamou de “as superfícies de luz de Piero Dorazzio os signos polissêmicos de Perilli; os tótens de Capogrossi, as ikebanas de Franchina, as grandes formas plásticas de Magnelli. E ainda havia Miró, Severini, Ernest, Vassarely, Klee, Arp, Magritte, Picabia, todos amigos de Murilo”

Foi também correspondente e amigo de Breton, Baudelaire, Mallarmé, Eluard, Cocteau, Bernanos, René Char e Camus.

Sua biblioteca e seus quadros demonstram estas amizades através das dedicatórias

Mas o nome que merece destaque nesta lista de amigos é ISMAEL NERY

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Nas manhãs claras de Juiz de Fora, Murilo Mendes passeia pelo Museu que agora já chama de seu, contempla o novo livro de Leila Barbosa e Marisa Timponi que está na mesa mostruário da biblioteca – Ismael Nery e Murilo Mendes: reflexos, e que trata justamente da amizade entre ele e Ismael Nery. Como ficou bonito! Exclama.

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Para Ismael Nery, Murilo escreveu:

Acima dos cubos verdes e das esferas azuis
Um ente magnético sopra o espírito da vida.
Depois de fixar os contornos dos corpos
Transpõe a região que nasceu sob o signo do amor
E reúne num abraço as partes desconhecidas do mundo…

Murilo Mendes – 1930

10. O POETA COLECIONADOR

“ Uma curiosidade inextinguível pelas formas me assaltou sempre”, dizia Murilo Mendes.
“ Ver coisas, ver pessoas na sua diversidade, ver, rever, ver, rever. O olho armado me dava sempre e continua a me dar força para viver”.

Murilo se aproximou da pintura como nenhum outro poeta brasileiro. Talvez por isso tenha sido pintado por Guinard, Portinari, Arpad Szenes, Ismael Nery.

Como vemos a seguir:

Guinard
[ Murilo Mendes por Guinard]

Portinari
[ Murilo Mendes por Portinari]

Arpad Szenes
[ Murilo Mendes por Arpad Szenes]

Ismael
[ Murilo Mendes por Ismael Nery]

Tornou-se conhecido crítico de arte na Europa e assim recebia dos artistas amigos inúmeras obras que hoje formam a coleção existente no Museu de Arte Murilo Mendes.

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11. PRAZER EM CONHECER

E por fim, tomei coragem e perguntei:

- Murilo, quem é você?
Aihmé, “não sou meu sobrevivente, e sim meu contemporâneo”, respondeu-me o poeta com seu largo e discreto sorriso que equivalia a uma estrondosa gargalhada.

- eu sei, disse, você não é um, é vários e tantos que preciso relacionar:

um clássico do modernismo ( João Gaspar Simão);

futuro entre passados estagnados . Futuro intensamente, poeta a nascer amanhã, sempre amanhã. ( Carlos Drummond de Andrade);

uma das realizações mais poderosas do anarcoerotismo surreal e do iconoclasmo surrealista. ( Mário de Andrade);

homem que não sonha, faz o sonho. ( Alberto da Costa e Silva)
conciliador de contrários ( Manuel Bandeira);

poeta brasileiro e juiz-forano com nome de espanhol, que falava um francês apuradíssimo e que discutia com competência música e poesia ( Luciana Stegagno Picchio);

borbulhar de uma fonte de beleza perene ( Jorge Andrade);

um sujeito que apenas permanece na medida em que se transforma (Joana Matos Frias);

poeta vanguardista, inventivo, cultor de imagem, esteta que tem o prazer de ver&rever e o faz criticamente ( Leila Barbosa e Marisa Timponi);

um dos quatro bichos da seda da poesia brasileira. Tiram tudo de si mesmos ( Manuel Bandeira);

sou meu heterônimo, fechou Murilo Mendes deixando-me com este poema:

Eu me encontrei no marco do horizonte
Onde as nuvens falam.
Onde os sonhos têm mãos e pés
E o mar é seduzido pelas sereias.

Eu me encontrei onde o real é fábula.
Onde o sol recebe a luz da lua,
Onde a música é o pão de todo dia
E a criança aconselha-se com as flores.

Onde o homem e a mulher são um.
Onde espadas e granadas
Transformam-se em charruas
E onde se fundem verbo e ação.
Murilo Mendes

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Acervos raros - 3

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FOI ASSIM…

PRAZER EM CONHECER MURILO MENDES

Livro de Maria Helena Sleutjes ( ainda não publicado) é divulgado no encontro do Grupo café com Poesia ( e Arte) em Juiz de Fora, no dia 16 de maio de 2014, no auditório da Funalfa.

O jornal TRIBUNA DE MINAS, divulgou o evento:

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No mês em que Murilo Mendes completaria 113 anos – 13 de maio -,Maria Helena Sleutjes apresenta-o “vivo” e “palpitante”, em “Prazer em conhecer Murilo Mendes”, segundo o escritor Luiz Almeida. Ainda não lançada, a obra dá título ao “Café com poesia”, que acontece nesta sexta-feira, às 19h, no Anfiteatro João Carriço. “Este livro pede uma publicação urgente e pede o aplauso de quantos amam a poesia e de quantos aprenderão a cultivar esse amor por meio das lições que sua edificante e cativante leitura nos traz”, completa o escritor. O evento contará com a participação das professoras Leila Barbosa e Marisa Timponi, prefaciadoras da obra. Entrada gratuita.

CAFÉ COM POESIA.

Hoje, às 19h, no Anfiteatro

João Carriço

(Av. Rio Branco

2.234 – Centro)